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Menestréis

29 de julho de 2010
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Nossa, e como faz tempo! Tava com uma saudade imensa de escrever! E ando com a cabeça borbulhante de idéias…me deem tempo!
Começo com uma cena que escrevi com a ajuda de meu amigo Elias para encenar na oficina dos menestréis, aonde faço curso de teatro:

Casal de atores. Boca de cena, em lados opostos. Focos de luz diretos sobre eles.

Ele: Amor?
Ela: Amor!
Ele: Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar? Esse amor que, suave, dá forma, com alívio transforma. É o meu destino: amar sem conta, sofrer sem conta…
Ela: …A coisa mais importante que aprendemos na vida é amar e ser amado. E isso já me basta, já me eterniza!
Ele: Sinto hesitação.
Ela: Impressão. É teu cuidado que por mim é grande.
Ele: Que isso que te consome o peito?
Ela: Coisa pequena. Te dou a ignorância como benção.
Ele: Que isso que te consome o ventre?
Ela: Meu pesar é não poder mais deixar uma semente do nosso amor no mundo!
Ele: Que isso que te consome a mente?
Ela: Já não tenho mais razão, só dor. Não sei se você estava lá…
Ele: Eu estava…
Ela: …ouviu o médico sussurrar…
Ele: …câncer.
Ela: Ainda consigo ver o céu da janela, nos momentos de consciência. Ainda enxergo tua expressão preocupada, teus olhos inchados, tua pele pálida…
Ele: Teu pedido me atormenta…
Ela: Queria eu ter forças pra acabar com tudo isso. Mas não a tenho. E por mais que me doa te dar essa tarefa, saiba que não te abandono de maneira alguma. É que, em meio das lutas da cidade, não ouve o clarim da eternidade, que soa na amplidão. Sou meia pessoa que já não agüenta mais sofrer.
Ele: Sofro contigo! Sofro por você! Abre teu corpo que eu tomo tua doença como minha. Como pode alguém amar e, por isso, matar? E como posso viver com a culpa de te querer libertar? Só te encontro no teu olhar, e ele me suplica. Maldita razão, maldita loucura. O que queres de mim?
Ela: Um último ato de amor.
Ele: E sobre a morte, o amor é vencedor?

Os dois se olham pela primeira vez. Correm para os braços um dos outros. Se abraçam longamente.
Ele: …e se algum perdão houver do alto, que recaia sobre os que agem por amor e nada mais. Eu te…
Ela: Te amo porque te amo.

Ela se desequilibra em seus braços e cai.

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